"Três leitores imaginários olahram por sobre meu ombro enquanto escrevia, e agora a eles dedico o livro. Em primeiro lugar o leitor geral, o leigo. Por ele evitei o jargão técnico quase totalmente e onde tive que usar palavras especializadas, eu as defini. Agora me pergunto por que não censuramos a maior parte de nosso jargão também das revistas especializadas. Supus que o leigo não tenha conhecimento especializado, mas não supus que ele seja estúpido. Qualquer um pode popularizar a Ciência se ele simplificar demasiadamente. Trabalhei arduamente tentando popularizar algumas idéias sutis e complicadas em linguagem não matemática, sem perder de vista sua essência. Não sei quanto sucesso tive nisto, nem quanto sucesso tive em outra de minhas ambições,: tentar tornar o livro tão fascinante e agradável quanto o assunto merece. Desde há muito senti que a Biologia deve parecer tão excitante quanto uma história de mistério, pois ela é exatamente isto. Não ouso esperar ter transmitido mais do que uma pequena fração da excitação que o assunto tem a oferecer.
Meu segundo leitor imaginário foi o especialista. Ele tem sido um crítico severo, suspirando profundamente com algumas de minhas analogias e figuras de linguagem. Suas frases favoritas são "com exceção de", "por outro lado", e "oh, não". Ouvi-o atentamente e até reescrevi por completo um capítulo apenas em seu benefício, mas, no fim, tive que contar a história da minha maneira. O especialista aindanão estará completamente satisfeito com a maneira pela qual expus o assunto. No entanto, minha maior esperança é que até ele encontrará aqui algo de novo; uma nova maneira, talvez, de ver idéias familiares: até mesmo estímulo para idéias novas próprias. Se esta é uma aspiração alta emias, poderei pelo menos esperar que o livro o distraia em um trem?
O terceiro leitor que tive em mente foi o estudando, realizando a transição do leigo para o especialista. Se ele ainda não decidiu em que campo quer se especializar, espero encorajá-lo a considerar meu próprio campo da Zoologia. Há uma razão melhor para estudar a Zoologia do que sua possível "utilidade" e estima que os animais provocam. Esta razão é que nós animais somos as máquinas mais complicadas e perfeitamente planejadas do universo conhecido. Apresentada desta forma, é difícil entender como alguém pode estudar outra coisa! Para o estudante que já se comprometeu com a Zoologia, espero que meu livro tenha algum valor educativo. Ele está tendo que estudar os artigos originais e livros técnicos nos quais miha exposição se baseia. Se ele achar as fontes originais difíceis de entender, talvez minha interpretação não matemática possa ajudar, como uma introdução e fonte suplementar.
Há perigos óbvios em se tentar agradar três tipo diferentes de leitores. Só posso dizer que estive cônscio esses perigos e eles pareceram ser compensados pelas vantagens da tentativa."
Richard Dawkins, prefácio ao livro O Gene Egoísta.
Acredito que esta nota de Dawkins é bastante inspiradora e pode servir de norte para aqueles que pretendem, como eu, escrever obras de divulgação científica.
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